sexta-feira, 7 de julho de 2017

Esta Quase Escrito - Parte II





Um Jeito básico de evitar a falácia nos púlpitos

Continuamos a reflexão sobre o problema de achar que um pensamento ou ideia de um pastor, líder religioso evangélico ou denominação, pode ser considerado uma doutrina Bíblica pela simples ação de mostrar um texto bíblico como prova. Já se sabe que utilizar de textos isolados para criar regras em denominações e ministérios, não só promove com o tempo confusões e divisões diversas, como é uma forma de cometer  injustiça quanto a vida de uma pessoa que será levado a obediência acreditando que estará se aproximando de Deus, quando apenas está obedecendo normas ministeriais. Se o individuo é convicto e decide viver assim, é uma opção sua, tudo bem, pois não estará sendo enganado quanto as normas da denominação e o mesmo aceitou o fardo. Porém ao contrário, se o mesmo acredita que o fardo que lhe é imposto é uma doutrina Bíblica, por assim lhe ensinarem, o prejuízo pode ser grande, tanto na carne como no psique do fiel e membro de uma igreja. O caso piora em grau elevado quando o grupo de fieis, passa a acreditar que outros grupos por não seguirem suas normas "sacras", estão errados, e não são dignos de comungar da mesma fé. 

Como evitar este erro, se os que cometem acreditam que estão cumprindo a vontade de Deus? Pois na maioria dos casos, extraem ou pensam extrair das Escrituras os ensinamentos, por isto a sentença de pecado de desobediência ao não aceitar algumas normas, pois acreditam os líderes e ministérios que estão fazendo, ou fizeram a coisa correta.

Para evitar este erro, o obreiro deve ser aprovado como bom obreiro, o trabalhador do Evangelho de Cristo que está na liderança de uma Igreja, ministério, não pode ser preguiçoso, pois sendo, não se dedicará aos textos bíblicos para extrair destes textos a Doutrina que está contida neles. Não basta ler e pensar que é, pois talvez não seja o que estou pensando, e a igreja o povo de Deus deve ser instruído no que Deus diz e não no que eu penso por mais santo que pareça ser meu pensamento, ainda é o pensamento de um homem, será condicionado a origem, alcance e o tempo e não vai permanecer, e pior, ainda causará transtornos quando a Palavra for pregada como ela é e derrubar por  completo o ensinamento humano que o líder deixou na congregação. Deus não é “Deus de confusão e sim de Paz”

Qualquer que almeja tomar a tribuna para doutrinar deve estar ciente que a Palavra de Deus, é a Doutrina, e não o que ele o obreiro pensa sobre determinado texto bíblico. Para esta afinação e concordância dar certo, o obreiro deve se humilde e ceder aos Estudos exaustivos da Palavra de Deus. Deve este obreiro conhecer no mínimo regras básicas de como interpretar e ler um texto bíblico, para que saiba como e por onde começar esboçar um ensinamento ao ler um texto da Bíblia. Caso contrário estará dependendo de algo que é mais difícil de compreender do que as Escrituras, o que muitos dão o nome de “mistérios do céu”. Pensemos quanto ao assunto, se alguém não consegue entender os mistérios já revelados nas Escrituras, como entenderá os mistérios não revelados ainda? Acaso o Senhor nos deu As Escrituras Sagradas em vão? São estas Escrituras incompreensíveis, o Onipotente e Soberano Deus que criou o homem, não soube usar os homens  para escrever as Escrituras Sagradas? A Bíblia é perfeita e totalmente compreensível aos que com ela se importam e se humilham, e são humildes o suficiente para se por a disposição do Espirito Santo para serem usados como semeadores das doutrinas bíblicas. Acreditar que se deve começar pelos mistérios revelados que é a Palavra de Deus, é mostrar-se sábio, já é um bom começo para ter êxito no ensino das Escrituras.

O Grande professor é e será sempre o Espirito Santo, e o Pastor, pregador, evangelista ou quem for colocado para ensinar a Palavra de Deus, será como canal de bênçãos para os servos do Senhor. Uma Igreja Fundamentada em Cristo e instruída na Palavra de Deus não passará com modismo, pois modismo são costumes humanos, tem tempo para desaparecer.


Um exemplo de um ensinamento errado, uma típica confusão feita com doutrina e costumes.

Para aplicarmos o que já discursamos até este ponto deste texto, irei expor uma doutrina clássica, levada a sério por muitas igrejas evangélicas, mesmo que alguns ministérios tenham revisto este erro doutrinário originário de regimento interno, ainda assim, muitas igrejas, principalmente  Assembleias de Deus mais tradicionais, também algumas pentecostais com controle de uso e costumes mais rígido, como a denominação Deus é Amor  e outras semelhante, seguem com estes ensinamentos, geralmente a liderança segue como se segue uma fila indiana, quando não se pergunta a finalidade da fila, isto por motivo de não se importarem em rever de onde procede ou procedeu o ensinamento. Este ensinamento que irá ser descrito sempre esteve presente como uma verdade, mas nada mais é do que um engano quando atribuído a uma doutrina Bíblica. Apenas um ensinamento humano, que por estar o tema, em volta a textos bíblicos, tenta-se validar como Doutrina Bíblica. Porém A doutrina Bíblica deve vencer os três obstáculos aqui já demonstrados, 1º A Origem, 2ª O Alcance, 3º O Tempo, caso contrário será costume de homens e costumes não podem ser maiores do que a Bíblia, pois a Bíblia não muda e os costumes mudam. Segue-se um tema simples que os homens com suas opiniões de deuses atrapalham o entendimento. Segue o tema em discussão como exemplo de erro doutrinário e de ensino.

O uso da barba

Gn 41:14 “Então Faraó mandou chamar a José, e o fizeram sair à pressa da masmorra; ele se barbeou, mudou de roupa, e foi apresentar-se a Faraó”

Todo sistema de ensino voltado para que não se use a barba está a muito tempo ligado a este texto de Gn 41:14. Temos um personagem que é na história a expressão de um deus quando levado em consideração sua importância, temos outro personagem que é considerado um servo e está em dupla inferioridade, pois na história além de ser servo, está como prisioneiro. Faraó manda que lhe traga José à sua presença, aí temos a clássica frase: “ele se barbeou, mudou de roupa, e foi apresentar-se a Faraó”, interpretada  da seguinte forma: Se José se barbeou para entrar na presença de Faraó, ainda mais na presença de Deus? O argumento é simples e aparentemente lógico, por muito tempo aceitável entre obreiros, líderes e ministérios como uma Doutrina Bíblica, mas quanto a se tornar doutrina Bíblica chega a ser cômico.

Todos que estudam a história sabem que no Egito nenhuma pessoa podia se apresentar diante de Faraó sem estar devidamente apresentável e higienizado, mas até aí utilizar deste texto como parâmetro para ensinar que um homem não pode usar sua barba nos dias atuais, pois é desobediência  ao ministério e estará desobedecendo a Deus por isto, é no mínimo estranho quando o caso é estudos sérios das Escrituras, um erro doutrinário. Sabe-se que era costume dos egípcios não usar barbas; quando muito usavam um pequeno cavanhaque. É necessário segundo (Hist. Antigua, Barcelona) levar em consideração situações de higiene. Mas o que este trecho tem haver com uma Doutrina de Santidade ao Senhor? Ao olhar os outros diversos textos da Bíblia a que se refere à barba, logo se se percebe que são ignorados totalmente quanto formulação desta Doutrina ou ensinamento que faz parte de diversas Igrejas Evangélicas brasileiras.

Vamos ver alguns textos que mostram que falta aí um pouco de boa vontade de ler mais a Bíblia antes de criar Doutrinas a mais das que já existem nas Escrituras:

Para os soldados de Davi as barbas raspadas pelo inimigo foi ato de vergonha junto ao corte das vestes deixando-os com as nádegas à vista.

Então tomou Hanum os servos de Davi, e lhes raspou metade da barba, e lhes cortou metade das vestes, até às nádegas, e os despediu. Quando isso foi informado a Davi, enviou ele mensageiros a encontrá-los, porque estavam aqueles homens sobremaneira envergonhados. Mandou o rei dizer-lhes: Deixai-vos estar em Jericó, até que vos torne a crescer a barba, e então voltai.”

Os homens considerados santos de Israel usavam barbas, os Sacerdotes levantados para entrar no santo dos santos, onde quem estivesse em pecado morreria como diz as Escrituras. Se barba fosse pecado os sacerdotes não usariam, além de Deus ter avisado a Moisés para que os sacerdotes não a usassem,  se fosse rebeldia, morreriam com certeza no lugar santíssimo ao oferecer o sacrifício ao Senhor pelo povo. Basta uma lida sem hermenêutica ou exegese no texto de Salmos 133:1,2 para logo perceber que existe um erro muito gritante em demonizar a barba de um homem. “Oh! quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união. É como o óleo precioso sobre a cabeça, que desce sobre a barba, a barba de Arão, e que desce à orla das suas vestes.”

Barbear-se nas escrituras se tornou também como figura de linguagem, não para condena-la como barba propriamente dita, mas  para demonstração de severo julgamento da parte de Deus, castigo vindo de Deus. O problema fica aclaro hoje com o uso contrário, pois como que o oposto disto poderia ser considerado desobediência a Deus e rebeldia? Mais uma vez basta ler, nada mais, não é necessário ficar quatro anos em um seminário teológico para perceber que a interpretação do tema barba me muitas denominações está totalmente equivocado, se comprova isto em textos do Profeta Isaías e Jeremias:

Porque há de acontecer que naquele dia assobiará o Senhor às moscas, que há no extremo dos rios do Egito, e às abelhas que estão na terra da Assíria; E todas elas virão, e pousarão nos vales desertos e nas fendas das rochas, e em todos os espinheiros e em todos os arbustos. Naquele mesmo dia rapará o Senhor com uma navalha alugada, que está além do rio, isto é, com o rei da Assíria, a cabeça e os cabelos dos pés; e até a barba totalmente tirará.” Isaías 7:18-20

E tu, ó filho do homem, toma uma faca afiada, como navalha de barbeiro, e a farás passar pela tua cabeça e pela tua barba; então tomarás uma balança de peso, e repartirás os cabelos. Uma terça parte queimarás no fogo, no meio da cidade, quando se cumprirem os dias do cerco; então tomarás outra terça parte, e feri-la-ás com uma faca ao redor dela; e a outra terça parte espalharás ao vento; porque desembainharei a espada atrás deles...5 Assim diz o Senhor DEUS: Esta é Jerusalém; coloquei-a no meio das nações e das terras que estão ao redor dela.” Ezequiel 5:1-5

Ao raspar a barba, nas Escrituras também era como mostrar profunda tristeza, momentos de profundas aflições, angustias profundas estão ao redor do tema quanto a  RASPAR A BARBA, em alguns textos bíblicos, como no texto de Jeremias a seguir:

Sucedeu, pois, no dia seguinte, depois que ele matara a Gedalias, sem ninguém o saber,
Que vieram homens de Siquém, de Siló, e de Samaria; oitenta homens, com a barba rapada, e as vestes rasgadas, e retalhando-se; e trazendo nas suas mãos ofertas e incenso, para levarem à casa do Senhor.”
Jeremias 41:4,5


É por fim se existe uma obrigação imposta para barbear-se nas Escrituras que implique problemas com a congregação de Israel, se pode apontar para o caso de leprosos como mais uma vez as Escrituras deixam claro. Na questão do leproso, este deveria que mostrar-se sem pêlos no corpo para uma analise correta por parte do sacerdote, afinal era necessário atestar que o mesmo estaria curado e sem lepra para permitir o retorno do leproso à vida social. Para saber se estaria mesmo curado da lepra, um corpo coberto de pêlos dificultaria o exame por parte do sacerdote. O texto também é claro, pois o Senhor nunca teve intenção de complicar o que realmente queria do seu povo como obediência, segue o texto:

E aquele que tem de purificar-se lavará as suas vestes, e rapará todo o seu pêlo, e se lavará com água; assim será limpo; e depois entrará no arraial, porém, ficará fora da sua tenda por sete dias;
E será que ao sétimo dia rapará todo o seu pêlo, a sua cabeça, e a sua barba, e as sobrancelhas; sim, rapará todo o pêlo, e lavará as suas vestes, e lavará a sua carne com água, e será limpo”
Levítico 14:8,9


No texto onde se menciona  o “fazer a barba”, em nada indica o ato de raspa-la, porém, mais uma vez vemos aí a questão da apresentar-se a frente do Rei, por isto o cuidado, pois seria momento de festa. Deve lembrar o leitor que este Rei é agora Judeu, e o mesmo que fala para que seus soldados deixem suas barbas crescer em  2 Samuel 10:4,5 . Também Mefibosete, filho de Saul, desceu a encontrar-se com o rei, e não tinha lavado os pés, nem tinha feito a barba, nem tinha lavado as suas vestes desde o dia em que o rei tinha saído até ao dia em que voltou em paz.”2 Samuel 19:24

Importante notar que o lugar e o tempo estão sempre presentes nas mudanças de hábitos e costumes, transformar estas mudanças em doutrinas bíblicas pode ser considerado sacrilégios, pois coloca o Espírito Santo como personalidade mutável por causa dos homens e sua história. É muito fácil assim afirmar que o Deus dos Hebreus seria como todas as outras divindades pagãs, criadas pelo homem e sua época, nada mais. Vemos  também através destas passagens bíblicas que utilizar-se dos textos bíblicos para validar pensamentos e ideias humanas como doutrinas bíblicas demonstra falta de responsabilidade com o que é espiritual  e ainda coloca em dúvida a credibilidade da Doutrina e ensinamento de determinada denominação cristã, como também coloca em dúvida o autor da doutrina, afinal às Escrituras Sagradas são escritos sérios e verdadeiros e não escritos ainda em prova e testes para serem aceitos como confiáveis.


Conclusão

Percebe-se que ao longo da demonstração dos textos bíblicos, não se fez necessário o uso da exegese e nem tão pouco regras complexas de hermenêutica bíblica, apenas simples observação dos contextos das respectivas passagens bíblicas. Assim não dá para concordar com tamanha negligência em atribuir uma proibição a algo que é de livre uso do homem, e muito menos usar a desculpa de não se ter teologia para entender.  O tema “USAR OU NÃO USAR BARBA” possui júri fundamental ao seu favor a própria natureza e masculinidade. Quando colocado ensinamentos e ideias de homens  usando textos bíblicos para valida-los,  sem análise e o mínimo de respeito com o que diz a Palavra de Deus sobre o assunto é pecado e pecado de acrescentar palavras à Palavra de Deus que já está fechada com todas as suas doutrinas e ensinamentos que servem de regra de fé para os servos do Deus Altíssimo.  Pior é saber que muitos outros ensinamentos são disseminados como Doutrina Bíblica e não passam de tradições e costumes de homens. Ao se verificar a origem, vê-se que não procede das Escrituras, ao se verificar o alcance, percebe-se que as fronteiras territoriais derrubam muito rapidamente, pois não é a Palavra de Deus. Por fim, ao se acompanhar o passar do tempo logo se constata que os ensinamentos que defendidos como doutrinas são substituídos, pois já não servem para um povo de outro tempo, pois não é a Palavra de Deus que dura para Sempre!

Presbítero

Israel Lopes

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